O poeta
- Não entendo as letras deste grupo. Tem algum sentido, por exemplo, Meu filho vai ter nome de santo? / Quero o nome mais bonito

A adolescente responde: - Todo mundo é coberto de boas intenções quando tem filhos, mãe. Desejam sua felicidade. Tentam escolher os melhores nomes. A letra fala justamente disso. De como as pessoas depois se perdem, cometem erros que não queriam. E pais e filhos se tornam tristes e sozinhos. Sem que ninguém tenha culpa. Ou que todo mundo a tenha.

Renato Manfredini Junior nasceu no dia 27 de março de 1960, às 4 horas, no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro. Teve uma infância comum. Soltava pipa, brincava de pique, andava de carrinho de rolimã onde morava, na Ilha do Governador, bairro da Leopoldina. Certa vez, perguntado por uma repórter do Jornal do Brasil se era uma criança introspectiva, respondeu em tom maroto: "eu aproveitava os dias de chuva".

Filho de pai economista do Banco do Brasil e de mãe professora de inglês, Renato teve uma infância tranqüila, em uma família de classe média alta, onde pôde adquirir uma boa amplitude cultural. Principalmente, depois da estada fora do Brasil. Aos sete anos de idade, ’Juninho’, como era chamado na época, mudou-se para Nova Iorque, porque o Renato pai iria fazer um curso, logo sendo matriculado em uma escola local. Juninho e Carmem Teresa, sua irmã caçula, puderam então ampliar seus conhecimentos na língua de Shakespeare.

Depois de retornar para o Rio, a família foi morar em Brasília. Ali começaria a fase mais traumática até então. Em 1975, com 15 anos, Renato ficou impossibilitado de andar. Sofria de epifisiólise, uma doença rara que ataca os ossos. Passou por diversos tratamentos e operações. Voltaria a caminhar já aos 17 anos.

Nome artístico - Apesar da complicação natural da situação, Renato acabou aproveitando o tempo para ler. Ele chegou a criar uma banda fictícia, na qual o cantor/alter ego se chamava Eric Russel. O sobrenome artístico era uma homenagem coletiva ao filósofo Jean-Jacques Rousseau, ao pintor naîf Henri Rousseau e ao filósofo Bertrand Russell. Esta mistura filosófica e artística daria origem também ao ’Russo’ do Renato.

Antes de realizar o sonho, porém, o futuro músico ainda seria professor de inglês, programador de rádio e jornalista. Lecionando na Cultura Inglesa, foi escolhido pela entidade para recepcionar o Príncipe Charles quando o monarca inaugurou uma das filiais do grupo. E lá estava Juninho com seu inglês perfeito.

Andava com uma certa ’Turma da Colina’. Rapazes que se reuniam em um conjunto de prédios construídos para abrigar professores e funcionários da UnB. Um enclave de liberdade em uma Brasília sombria. Embaladas por maconha e garrafões de vinho, diversas bandas de punk rock surgiram do núcleo cultural.

O trovador solitário

"Muita gente achava ele chato, mas Renato era o catalizador. Era quem unia aquela gente toda. Quem fazia com que as coisas acontecessem", dizia Renato Rocha, o então futuro baixista da Legião Urbana.

Freqüentavam festas, escutavam discos importados. O gosto geral era pelo punk. "De 76 a 78 eu ouvia muito rock progressivo. Aí o progressivo acabou. Genises e Yes perderam componentes. Comecei a ouvir Beach Boys, Jefferson Airplane, Bob Dylan e Leonard Cohen. Então, os jornais passaram a falar mal de toda essa gente. Apontavam para o Sex Pistols. Eu ficava curioso", disse Renato Russo em entrevista à revista Bizz.

Com essas influências, e mais The Clash e Eddie And The Hot Rods, Renato, que ainda não se chamava Russo, formou o Aborto Elétrico em 1978, banda que reunia os músicos Fé Lemos e André Pretórios. Renato tocava baixo, Fê era baterista e André ficava na guitarra e no vocal. Chegaram a fazer sucesso nas festinhas de Brasília. Mas André, filho do embaixador da África do Sul, teve que se alistar. "Foi para África lutar contra os negros", lamentou o músico.

Em uma discussão, Fê jogou uma baqueta no Renato. Neste momento, o grupo chegava ao fim. Surgiu então o Trovador Solitário: Renato Russo, um banquinho e um violão. Mas sua fase Bob Dylan não duraria muito. "Sempre gostei de ’tchurma’. Desde pequeno era ligado em filmes de ’tchurmas’", dizia o futuro vocalista.

Legionatários - Renato decidiu então formar uma base de baixo/ bateria - ele e Marcelo Bonfá - e chamar integrantes de bandas locais para a voz e a guitarra. Sempre com uma formação diferente. Daí o nome Legião Urbana. Mas esta idéia inicial não deu certo.

Mudanças aconteceram e logo já contavam com um guitarrista fixo, Eduardo Paraná, que só queria solar. Contudo, o objetivo era fazer um som mais elaborado que o do Aborto. Chamaram também o tecladista Paulo Paulista Guimarães. Com esta formação, fizeram a primeira apresentação do grupo, em setembro de 1982.

O virtuosismo de Paraná e Paulista empurraram os dois para fora da banda. Renato Russo passou então a contar com a guitarra de Ico Ouro Preto (irmão de Dinho, futuro vocalista do Capital Inicial). Mas esse também não durou muito. Finalmente, Dado Villas-Lobos assumiria a guitarra.

Um dia de 1984 veio a notícia-bomba: Renato Russo havia cortado os pulsos. A comoção foi geral. Mas o próprio tratava de falar que o gesto não passava de um "acidente". "Cortei os pulsos mas não para me matar nem nada. Foi frescura, eu estava bêbado", explicava. Fôra uma besteira para chamar a atenção de algum rapaz. Renato era carente, capaz de se apaixonar com a maior facilidade. E de se frustrar com mais facilidade ainda.

Segundo o jornalista Arthur Dapieve na biografia do músico, da série Perfis do Rio, a inatividade de Renato Russo criava um problema. Ele havia perdido alguns movimentos das mãos. Não poderia tocar baixo durante algum tempo. O músico também estava querendo ter mais liberdade para cantar e cuidar dos interesses da Legião. Foi assim que o baixista Renato Rocha entrou em cena. A banda começou a se apresentar fora de Brasília.

Nessa época, os Paralamas do Sucesso já haviam gravado e faziam sucesso. Com o exemplo dos amigos da Capital Federal, "os legionários" acreditavam que era uma questão de tempo para que estourassem também. Renato sonhava acordado. Chegou a dizer para os pais que seria o líder da maior banda do país. Uma fita demo da Legião Urbana tocava na Rádio Fluminense do Rio, mãe da renascença do rock brasileiro nos anos 80.

Qaundo começaram a ficar badalados em Brasília, as propostas de gravadoras apareceram. O primeiro convite foi feito, porém, pelo trabalho errado. Chegara a gravadora EMI Odeon uma demo de Renato quando este ainda assinava ’Trovador Solitário’. Gostaram do estilo Bob Dylan e do vozerão Elvis Presley. Mas não iriam ter interesse em outro trio de Brasília cujo cantor usava óculos.

No entanto, o grupo não sabia dessas histórias. Chegou a ir ao Rio para gravar outro demo no final de 1983, que não foi aproveitado. No início de 1984, novamente vieram à cidade carioca, desta vez para um compacto. Os produtores queriam Geração Coca-Cola como um rock country. Quando os meninos descobriram a intenção, saíram pela escada abaixo. Na saída, trombaram com outro produtor da casa, Mayrton Bahia. Foi a salvação. Um tal de deixa disso que fez com que os ânimos se acalmassem.

Fama inesperada

No quarto de hotel locado pela gravadora em Copacabana, em 1984, houve um encontro lendário, inédito e muito louco entre Raul Seixas e Renato Russo. "Falavam em um dialeto que não era português, inglês ou nada parecido. Dava para ver raios no quarto", jura Bonfá. Rauzito tinha encontrado Marcelo, Dado e Renato no corredor. "Vocês têm aquele disco marrom lá?" Era a senha para a maconha. Passaram a noite fumando, distraídos por papos para lá de psicodélicos.

Após dois meses em Brasília, tiveram a notícia de que o produtor do disco seria o jornalista José Emílio Rondeau. Com ele, chegaram a um acordo entre o que a gravadora desejava e o que os meninos aceitavam fazer. Pouco tempo depois seria lançado o disco Legião Urbana. Havia quem dissesse na EMI que o objetivo era vender Paralamas e empurrar Legião. Mas o vinil estrapolou as espectativas, vendeu de início 50 mil cópias.

Juninho agora já era Renato Russo. E nos tempos que se seguiriam teriam muito dinheiro, bebida, criatividade, brigas e amor. Como em Pais e Filhos, quarto disco da banda, uma sucessão de erros e acertos que ninguém entende porque acontecem, mas que acabam tornando as pessoas infelizes. Pouco antes de sua morte, no dia 11 de outubro, falou para dona Maria do Carmo, com ar tristonho: mãe, só fui feliz na infância.

Em 1988, alegando não poder enganar mais seu público, Renato Russo assumiu publicamente ser homossexual. "Isto faz parte da minha vida, não é um problema", costumava dizer. E realmente não era. Problemático eram seus relacionamentos afetivos.

O cantor teve duas grandes paixões. A primeira foi em 1990, quando conheceu em um bar de Nova Iorque, o americano Robert Scott, viciado em anfitaminas. O relacionamento durou dois anos e o rapaz chegou a morar com Renato no Rio de Janeiro. Numa temporada americana, chegaram a compartilhar durante um mês e meio sessões de heroína. "Acho que vou ficar uns dez anos escrevendo músicas do tipo meu amor partiu", comentou na época.

Para sair da depressão, Renato gravou em 1994 o disco solo The Stonewall Celebration Concert, no qual interpretava canções populares americanas. O álbum comemorava 25 anos do surgimento do moveimento gay nos Estados Unidos e trazia no encarte uma recordação deixada por Scott.

A outra paixão de Ranato foi o carioca Cristiano, um garoto de periferia com que o artista se relacionou até meados de 1995. O rompimento aconteceu durante a gravação do segundo disco solo Equilíbrio distante, só com canções italianas.

No final de 90, o poeta buscou a alto-internação para tratar do alcoolismo. Colocou fogo na clínica em protesto pela proibição de tocar violão para os outros pacientes na festinha de fim de ano. Era também uma maneira de pressioná-los a deixar ele passar o dia 24 de dezembro em casa com os pais. O "acidente" não teve importantes conseqüências e o obstinado Renato pôde ter um Natal em família.

O músico comprou um apartamento em Ipanema, Zona Sul do Rio. Andava muito deprimido, tenso, irritadiço e bebendo como um louco. Tinha certeza de que estava com Aids. Faltava coragem para fazer o exame. Talvez por isso, quando recebeu o resultado que comprovava suas desconfianças, tenha tido uma reação, se não conformada, fatalista.

Poucas pessoas ficaram sabendo da notícia. Seu pai, Rafael Borges, Dado, Bonfá e Denise Bandeira, atriz e grande amiga de Russo. Embora admirasse Cazuza, não seguiria os passos do colega. A idéia era manter tudo em segredo. Até seis anos depois, quanto veio a falecer, existiam algumas suspeitas, mas nada foi confirmado em público.

Antes da morte, o carinho dos fãs
Com 20 quilos a menos que os 65 habituais, barba comprida, Renato Russo morreu à 1h15min, no dia 11 de outubro de 1996, naquela que seria uma inesquecível sexta-feira para os milhares "legionatários" espalhados pelo país. O artista perdera a luta de seis anos contra a Aids.

"Ele se entregou", desabafou sua mãe, Maria do Carmo, logo após a cremação do corpo, no dia seguinte, no Cemitério do Caju, no Rio. "Nos últimos tempos ele não cansava de repetir: ’Mãe eu não sou daqui’ " Estava atormentado e com crises de depressão.

Nas últimas semanas de vida, Renato não saía de casa, recusava-se a comer, afastou-se dos amigos. Trancou-se no seu apartamento em Ipanema (zona sul carioca), em companhia apenas de seu pai e de um enfermeiro. Não queria mais tomar o doloroso coquetel de drogas. "Quando eu tomo o coquetel, é como se estivesse comendo um cachorro vivo. E o cachorro me come por dentro", disse a um amigo.

À tarde, vizinhos repararam que a música, sempre alta no segundo andar do prédio da Rua Nascimento Silva, havia cessado. E os fãs não deixaram de reparar: a frase URBANA LEGIO OMNIA VINCIT (A Legião Urbana tudo vence, em latim), estampada no encarte de todos os discos da banda, estava ausente de A Tempestade, seu último álbum.

Brigas - O criador da "geração coca-cola" deixou o mundo sem fazer as pazes com a cidade onde foi criado e onde iniciou sua carreira. Desde 1998, quando um show do Legião Urbana terminou em confusão, Renato Russo se negava a cantar na capital do país. "Não toco mais em Brasília", repetia várias vezes para os amigos. Para completar, ele passou pelo constrangimento de ser vaiado ao dar uma canja num bar durante a apresentação de uma banda de blues.

Sua mãe recebia ligações diárias de fãs. "É incrível o carinho que eles têm pelo meu filho. Sentem muita falta dele e me pedem todo tipo de coisa. Um dia, uma menina me ligou desesperada pedindo os óculos do Júnior. Infelizmente, nem que eu cortasse em pedacinhos de todos os tapetes e das cortinas da casa dele não daria para atender a todo mundo".

Uma nova direção



Ao resolver investir numa carreira solo, paralela a da Legião Urbana, Renato Russo optou por fazer discos totalmente diferentes do que fazia até então com os integrantes da banda. "No começo da carreira da Legião Urbana, a gente considerava bastante a Legião. Mas agora que estamos mais sedimentados, o público já conhece a gente, então surge uma curiosidade natural de ver se a gente tem capacidade de trabalhar de outras formas", disse Renato.

Após gravar canções em inglês, em The Stonewall Celebration Concert (1994), seu primeiro disco solo, Renato preferiu interpretar canções alheias escritas em italiano, idioma que naquele momento andava completamente ‘fora de moda’ no Brasil. Diferente do que muitos poderiam esperar, Equilíbrio Distante (1995), o segundo trabalho solo, ultrapassou a marca das 500 mil cópias vendidas. Emplacou diversos hits, dentre eles Strani Amore e La Solitudine, do repertório de Laura Pausini, até então ainda desconhecida por aqui.

E mesmo sem saber do sucesso que Renato faria sozinho, a gravadora deu apoio aos projetos desde o início. "Eles ouviram as canções, antes até de gravar. Se apaixonaram e falaram: "É super cem por cento. Vai em frente que vai dar certo’", contou o músico. O último solo, disco individual póstumo de Renato Russo, chegou às lojas com uma tiragem inicial de 300 mil cópias, o que lhe garantiu logo de saída um disco de platina. O álbum trouxe quatro músicas do primeiro CD individual e outras quatro do segundo disco. No último, há uma faixa interativa onde estão o clipe de Strani amore, trechos em áudio de uma entrevista para as rádios em 1995, as letras e a ficha técnica.

Apesar de ser um disco póstumo, as faixas têm qualidade técnica e artística suficiente para serem ouvidas como um disco de carreira. O diretor artístico da gravadora EMI-Odeon, João Augusto, explicou que o lançamento foi preparado de acordo com as determinações da família de Renato, representada na entrevista coletiva de lançamento pelo pai dele, Renato Manfredini.

A produção do disco ficou por conta do tecladista Carlos Trilha, que gravou com Renato os dois discos solo e participou das gravações dos dois últimos álbuns da Legião, A tempestade e A última estação. Pode-se dizer que Trilha passou por momentos difíceis por ter a tarefa de completar o disco sem a presença do Renato. "Eu me lembrei de muitas recomendações dele sobre as músicas. Ele também vivia dizendo que eu devia ser menos racional e técnico e me deixar levar pela intuição. Foi o que fiz", contou o produtor.

Manfredini disse que a família confiou totalmente na gravadora para preparar o disco, cuidando dos detalhes de apresentação. A família também explica o nome do disco: "É o último solo porque ele não vai cantar mais e também se refere ao solo de flores por ele escolhido para que jogássemos suas cinzas, que dispersamos no jardim de Burle Marx. Minha filha, Carmen Teresa, contribuiu com o quadro das flores na capa, que o Renato dizia que era dele e que, um dia, iria para sua casa."

O álbum está manuscrito na contracapa por Giuliano, filho do Renato Russo. O encarte é ilustrado por instrumentos e objetos pessoais do artista e um desenho dele ilustra o CD propriamente dito. Carlos Trilha ainda contou que do material solo só existem fragmentos de três canções. Sobre a Legião Urbana, o presidente da EMI explicou que há um vasto material de boa qualidade, incluindo duas horas de gravação do Acústico MTV, das quais só 40 minutos são aproveitados no programa. Augusto disse que um dos projetos seria reunir tudo numa caixa, mas isso são coisas a vir. É possível que o último solo não tenha acabado.


O sucesso da Legião Urbana
Quando "os legionários" chegaram no estúdio para gravar o primeiro disco, em 1984, o produtor, José Emílio Rondeau, não pôde deixar de perceber o talento privilegiado de Renato Russo. "Só um cego não constataria que Renato era John Lennon, Bob Dylan, Elvis Presley, Bruce Springsteen, tudo junto, num país tão carente de similares nacionais".

E assim, dentro da experiência mística que era assistir Renato cantar, foi feito o vinil. Muita coisa já estava no forno desde a época do Aborto Elétrico. Renato saía do hotel em Copacabana e ia de ônibus até o estúdio da EMI-Odeon, em Botafogo, também na Zona Sul do Rio, para gravar. No caminho, ainda que fossem 9 horas da manhã, parava em um boteco e tomava algumas doses.

No início de 1985, soterrado pela mídia dedicada ao primeiro "Rock in Rio", chegava às lojas Legião Urbana. Ficou na "geladeira" por seis meses antes de estourar, conquistando os fãs um a um. Será virou hit pelo Brasil a fora. Seus versos narravam de forma única os anseios juvenis frente àquela conjuntura política (Vamos conseguir vencer?), mas era também uma canção de amor.

Renato voltou a morar no Rio, na mesma casa de subúrbio onde tinha passado a infância, na Ilha do Governador. O disco já estava então na casa das 50 mil cópias vendidas, com várias músicas tocando nas rádios brasileiras.

Embora tivesse "um pé" atrás em relação à televisão, o grupo aceitou aparecer no programado do Chacrinha. O Velho Guerreiro adorou Renato Russo. Disse que tinha a voz muito parecida com a de um dos seus cantores favoritos, Jerry Adriani. Comparação, aliás, que seria feita muitas outras vezes. Renato e o cantor da Jovem Guarda se encontraram em algumas ocasiões. Nutriam um respeito mútuo e concordavam que suas vozes eram semelhantes. Talvez pelo fato de ambos terem como influência vocal Elvis Presley.

Sucesso consolidado - Ainda estavam contentando seus fãs com apresentações em danceterias do Rio, quando Dois, o segundo LP, chegou às lojas. Era um disco mais introspectivo. Embora canções como Tempo Perdido e Índios tivessem sido criadas na época da Turma da Colina, a maior parte das músicas foi feita no estúdio da gravadora. Exceção para Eduardo e Mônica, que fez parte do repertório do Trovador Solitário, Andréia Dória e Daniel na Cova dos Leões, que havia ficado fora do Legião Urbana e ganhara letra para integrar o novo disco.

Composta pelos "renatos", Daniel tinha pronomes pessoais manejados de maneira a contemplar todas as formas de amor: hetero e homossexuais (Aquele gosto amargo do seu corpo/ Ficou na minha boca por mais tempo). Andréia Dória, de 1977, teve os primeiros versos alterados sem, no entanto, perder a grande carga poética. Música de despedida, falava também sobre solidão, sentimento que sempre rondava Renato, apesar dos amigos, apesar do sucesso crescente. Com uma grande porção acústica, o LP era bastante pretensioso. Havia um visível crescimento de Renato como letrista e de Rocha, Dado e Marcelo como músicos. Vendeu inicialmente 700 mil cópias.

Que país é Este - A gravadora passou então a cobrar um terceiro disco. Mas Renato estava travado, não conseguia compor. Sentia-se desconfortável no papel de porta-voz da juventude. Tinha consciência da responsabilidade que isso representaria. "Escrevo justamente porque não sei. Não quero que minha opinião sobre temas controvertidos, drogas por exemplo, influencie outras pessoas," chegou a dizer. Mas em outubro de 1987, a Legião Urbana estaria de volta aos estúdios.

Resolveram o impasse gravando músicas do Aborto e do Trovador Solitário, que tinham ficado de fora do primeiro disco. De novo, tinha Angra dos Reis e Mais do Mesmo. Ironicamente, pensaram em batizar o disco de Mais do Mesmo, mas a proposta foi descartada. O trabalho foi rápido e divertido. Quinze dias para gravar e mais 15 para mixar. Improvisou-se até um torneio de vôlei no estúdio.

"São letras antigas e adolescentes", resumiria Renato. No começo de 1988, o grupo caiu na estrada para divulgar o vinil. Foi nesta fase também que trocaram de empresário. Saía Fernanda Villa-Lobos, irmã de Dado, e entrava Rafael Borges, que ficaria com a banda até o final.

No início das gravações do disco seguinte, Quatro Estações, Negrete, como era apelidado Renato Rocha, sairia da Legião Urbana. Seu afastamento dos outros membros do grupo tinha se acentuado. Russo, Dado e Bonfá justificariam a expulsão do quarto integrante da banda alegando atrasos e faltas. "Meu único compromisso era fazer música", disse Rocha em entrevista ao JB Online. O líder era extremamente exigente consigo e com os outros. Seu profissionalismo beirava a obsessão. De certa forma, a saída de Rocha ajudou o vocalista a manter seu padrão "qualidade total".

Quatro Estações - "Não estou a fim de falar de enchentes, aids, governo. Quero cantar canções de amor, baladas íntimas, musiquinhas para cantar junto. Já desistir de fazer músicas para salvar o mundo. Eduardo e Mônica estão divorciados." Este fragmento, de uma entrevista dada por Renato na época do lançamento do quarto disco, dava uma idéia do que devia ser esperado. E assim foi feito. Quatro Estações era ainda mais introspectivo que Dois.

O letrista usou citações bíblicas, do budismo e de Camões para falar de amor. O LP levaria 16 meses para ser realizado. Refizeram toda parte em que Negrete havia participado. Ainda houve uma fase de "baixa" de Russo. Não conseguia tirar Brasília da cabeça. Nesta tentativa, chegou a ir ao show do A-HÁ na Apoteose, Rio de Janeiro, para aprender como falar o que queria sem que as pessoas ensandecessem.

Em novembro de 1989, o disco foi lançado - 450 cópias vendidas por antecipação. Era a melhor safra de poesia/ rock já realizada pelo grupo. Desde a anti-épica Há Tempos até a romântica Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar, todas as canções tinham fortes apelos emotivos.

Sexualidade - As Quadro Estações também traria, pela primeira vez, uma música na qual Renato mencionava abertamente de sua opção sexual: Meninos e Meninas. Antes havia referências veladas, como em Daniel ou Soldados, mas agora o letrista falava sem metáforas ou subterfúgios sobre sua pan-sexualidade, como gostava de definir.

Feedback song for a dying friend antecipava o pesadelo da aids vivido pelo autor, mas, naquele momento, estabelecia uma ligação direta com a morte pública de Cazuza. "Sejamos sinceros, trata de uma relação homossexual", disse Renato em entrevista. Era a primeira vez que ele falava abertamente sobre sua sexualidade na mídia. Chegou a dizer que estava em quase todos os grupos de risco, pois só não era hemofílico.

No entanto, evitava se transformar num mártir da causa gay. Anos depois, pensando em sua contundente "saída do armário" relutaria em admitir que era um ato de bravura. Resumia dizendo que a sociedade aceita melhor quando se trata de alguém do meio artístico. Mas isso não altera muito a vida do homossexual off-artes.

A família já sabia que Renato era gay há mais de dez anos. Tanto os pais quanto o núcleo familiar da Ilha do Governador, onde morava com Tia Socorrinho, apoiavam-no plenamente. Embora sendo, segundo ele mesmo, uma figura difícil, bebia muito, tinha um gênio forte, era amado e respeitado por todos.

Pais e Filhos - Meu filho vai ter nome de santo/ Quero o nome mais bonito. Com os versos de uma de suas músicas de maior sucesso, o vocalista anunciava aos fãs a chegada de Giuliano, seu filho. Tratou o assunto com discrição e carinho. "Disto eu não falo", era sua frase habitual. A mãe, uma modelo que morreu logo após ao nascimento do menino, não pode ser conhecida. Renato adorava Giuliano. Embora este vivesse com os pais do músico em Brasília, opção do próprio Renato devido a sua vida desregrada, mantinham contato freqüente.


Confusões marcaram shows da Legião em Brasília
"Há quem chame a meia-noite de a hora do rabudo. Naquela fração do tempo ambígua, nem hoje nem amanhã, o demônio deixaria o inferno para agir na terra." Assim , o jornalista Arthur Dapieve começa a descrever o que aconteceu no triste show do Legião Urbana, em Brasília, dia 18 de junho de 1988. O estádio Mané Garrincha estava lotado. Era o retorno da banda à cidade natal.

A apresentação começou com uma hora de atraso. Renato abriu o show cantando Que país é este?, nada mais apropriado para ser dito na Capital Federal. O público foi à loucura. Nas duas músicas seguintes, ainda estavam empolgados com a apresentação. Durante a quarta música, porém, meia-noite em ponto, Renato cantava Conexão Amazônica, quando decidiu contar a "saga da criança junkie": ‘dois sobreviveram, dois casaram, um morreu e outro ficou assim...’, concluía imitando um entrevado.

O "Clube" era uma sátira a programas com o "Clube da Criança" de Xuxa, só que com pequenos drogados. Um doente mental, manco como uma criança junkie, entrou no palco por trás do cantor deu-lhe uma "gravata". Bateu também em sua cabeça com um canudo de papel. Renato usou o microfone para se defender. A segurança entrou em ação e afastou o invasor.

O que aconteceu depois foi um desentendimento geral com a multidão. Estes jogavam todos os tipos de objetos nos músicos, que ainda tentaram, durante a execução das sete músicas seguintes, amenizar o ocorrido. Renato defendia alguns fãs que apanhavam dos seguranças. Tudo em vão.

A situação não dava sinais de que seria controlada. Os músicos deixaram o palco e as luzes foram acesas. Ensandecido, o público começou jogar cercas para o alto e a incendiar a lona que cobria o gramado. Muita gente foi pisoteada. A PM avançou com cães a cavalos. No camarim, Dado e Renato Rocha choravam, todos estavam atônitos. Ninguém havia entendido nada.

Para Renato Russo aquele seria o show de sua vida. O retorno do filho pródigo após uma ausência de um ano e meio, motivada pela morte de uma menina durante o show de lançamento de Dois, na cidade, em dezembro de 1986.

O episódio no estádio Mane Garrincha teve repercussão nacional. Russo tinha uma explicação espiritualista para o fato: "Muitos candangos morreram ao construir Brasília. Os responsáveis pela construção escondiam os corpos em meio ao concreto. Estas paredes estão cheias de corpos. Por isso, Brasília é uma cidade estranha, sombria. Acontece algo de mórbido com as pessoas neste lugar".

Apesar da catástrofe no Distrito Federal, seis meses depois, em janeiro de 1988, a banda voltaria aos palcos. Fizeram parte do "Alternativa Nativa", evento onde se apresentaram diversos grupos da geração 80. O show foi perfeito. O vocalista estava inspirado. Chegou a fazer panfletagem a favor das eleições diretas. Na despedida, sintonizado com o clima de harmonia que pairou sobre a apresentação, Renato disse: "Deus abençoe vocês. Obrigado, boa noite".

A essas alturas, com três discos de sucesso lançados, a banda flertava perigosamente com o messianismo. Fãs ficavam nas portas dos hotéis esperando uma aparição de Renato. Catavam suas guimbas de cigarro. Eram os sintomas daquilo que alguém batizou como a "Religião Urbana".

Melancolia no lugar do punk
Se até o momento o Legião vinha alternando discos que falavam sobre a ética pública com os que tratavam sobre a esfera privada, era de se esperar que V viesse com uma forte carga punk. Porém, após o introspectivo Quatro Estações, os meninos optaram por algo ainda mais melancólico. Renato chegaria a falar: "Bonfá me traz umas melodias dessas e eu que levo fama de ser deprê". Acabou sendo o disco que Marcelo e Renato mais gostaram. Era ao mesmo tempo conceitual, político e pessoal.

Propositalmente lento, foi concebido para causar estranheza. O poeta pretendia escrever letras que não fossem perenes, fossem atemporais como versos de Pessoa ou Drummond. Metal Contra as Nuvens era uma das melhores letras de Renato. Tratava desde Fernando Collor (Quase acreditei em suas promessas) a homossexualismo e Aids (É a verdade o que assombra/ O descaso o que condena/ A estupidez o que destrói).

Foi o disco mais erudito também. Citações de escritores como o português Nuno Fernandes Torneol, do século XIII, e o alemão Johann Pachelbel, do século XVII, estavam lá. Tinha também a música O Mundo Anda Tão Complicado, tema de vários amores pelo Brasil afora, que se tornou a mais pedida em shows. Sem esquecer do hit Vento no Litoral" (O plano era ficarmos bem).

Em agosto de 1992, o grupo voltou para a estrada. As letras de V permitiram que os shows ficassem ainda mais míticos. Mas o clima na banda não era dos melhores. Novamente Renato entrava numa fase perigosa, alertaria Dado. A convivência foi se tornando exaustiva. Renato, já sabendo que era soro positivo, continuava usando drogas e bebendo. Junto com a hora do show, chegava a ressaca. Não raro, se assustava tanto com os efeitos do porre que achava que iria morrer.

Renato, que desprezava os aplausos da mídia e dos fãs enquanto o astro se auto-destruía (como James Joplin, Kurt Cobain e Jimmy Hendrix), flertava perigosamente com a morte. Certa manhã, chegou à piscina do hotel onde estavam hospedados no Rio Grande do Norte e perguntou por Dado e Bonfá. Fez um escândalo quando soube que ambos haviam saído para conhecer as praias com suas famílias. "Só eu que me interesso pelo trabalho? Então vamos embora." E foi encerrada a turnê.

Redenção - Na volta, Renato decidiu se cuidar. Pensava em si mesmo e na imagem que iria deixar para o filho Giuliano. Passou a tomar AZT, para retardar o aparecimento dos sintomas da doença. Os efeitos colaterais descreveria como "um cachorro vivo que vai me comendo por dentro". Freqüentou as reuniões dos Alcoólicos Anônimos. Passou três meses internado em uma clínica para toxicômanos. Este tipo de tratamento demonstrava uma grande humildade, elogiaria Rafael.

Os trabalhos musicais seguintes não tiveram uma boa recepção do público. Tanto Descobrimento do Brasil (1993), quanto The Stonewall Celebrartion Concert (1994), seu primeiro disco solo, ficaram no ostracismo. A depressão voltava a assombrá-lo, contudo trabalhava como um louco. Os demais integrantes da banda já haviam percebido que o macete era mantê-lo ocupado, Renato também.

Na noite de 14 de janeiro de 1995, a Legião se apresentava em um danceteria de Santos, quando uma lata de cerveja acertou o vocalista. Renato passou então 45 minutos cantando deitado no chão do palco. A platéia só o via quando levantava o braço para olhar o relógio de pulso e ver que horas eram. A temperatura esquentou. Quando aquilo acabou, todos estavam convictos de que nunca mais haveria um show do Legião Urbana.

Em meados de 1995, Renato, que tinha ido à Itália colher material para o seu novo disco solo, voltou a ficar depressivo e a se apoiar na bebida. Porém, começou a gravar o álbum. Havia dias em que ele apenas passava pelo estúdio, dava as coordenadas e ia embora. Contraditoriamente, o disco foi o mais tranqüilo já produzido até então. Todo em italiano, tinha um título que auto-biografava o momento do cantor: Equilíbrio Distante. A Aids aos poucos avançava e Renato, que lia muito sobre o assunto, tinha plena consciência do que estava lhe acontecendo.

Em janeiro de 1996, a Legião Urbana voltava ao estúdio para registrar aquele que seria seu último disco, ou melhor, seus últimos discos. O material produzido era suficiente para dois CDs. Surgia assim A Tempestade e Outra Estação. Letras como Via Lacta e Clarisse expunham de forma inédita a vida do autor. Havia dúvidas de até onde deveriam ir.

Por isso, em respeito aos fãs, algumas músicas ficaram de fora. Renato, na verdade, não tinha condições de estar freqüentemente nas gravações, mas acompanhava o processo por telefone. Já estava muito magro e sem forças. Registrou quase tudo de primeira em gravações comoventes. Quando cantou Hoje a tristeza não é passageira/ Fiquei com febre a noite inteira, não usava metáforas.


Curiosidades
A "roconha" retratada nos versos de Faroeste Caboclo realmente existiu. Foi uma festa embalada por muito maconha e rock and roll, em um sítio de Brasília. Foi tão marcante que a cidade inteira ficou ansiando pela segunda edição do evento. Os convites da "Roconha II" eram impressos em seda e colados em um pedacinho de papelão. Renato Russo e a Turma da Colina, que não tinham participado da primeira festa, também ficaram empolgados.

No dia marcado, todos se dirigiram ao local. Cada um que chegava à festa ia sendo grampeado pela polícia. O batalhão da área teve de alugar ônibus para prender tanta gente. Filhos de militares e autoridades iam para um lado, os simples mortais para outro. As meninas choravam enquanto eram ameaçadas pelos policiais: "sua mãe vai saber que você anda com maconheiro". E assim, sem ao menos começar, acabou a lendária "Roconha II". Nada a ver com Jeremias.

Eduardo e Mônica foi inspirada em uma amiga de Renato Russo de Brasília, Leonice de Araújo Coimbra. Mas o "boyzinho" que jogava futebol de botão com o avô foi uma invenção de Renato. O que deixava muita gente decepcionada.


Soldados foi a primeira música da banda, segundo Renato, com uma sensibilidade mais gay. A qualquer um que se espantasse com a interpretação explicava: "são dois meninos que descobrem que se gostam. Nossas meninas estão longe daqui/ E de repente eu vi você cair/ Não sei armar o que eu senti/ Não sei dizer que vi você ali ... Era também uma homenagem a André Pretorius, companheiro da época do Aborto Elétrico que havia ido para guerra.


ALGUMAS MUSICAS
Artista: Renato Russo
Música: A Carta
(Renato Russo e Erasmo Carlos)

INTRO: (G C Em C D) 2x

G Am
Escrevo-te essas mal traçadas linhas meu amor
D G
Por que veio a saudade visitar meu coração
Em Am
Espero que desculpes os meus erros por favor
D G
Nas frases desta carta que é uma prova de afeição
Em Am
Talvez tu não a leia mais quem sabe até darás
D G
Resposta imediata me chamando de meu bem
Am
Porém o que me importa é confessar-te uma vez mais
D G G7
Não sei amar na vida a mais ninguém
C G/B
Quanto tempo faz que li no teu olhar
D G G7
a vida cor-de-rosa que eu sonhava
C G/B
E guardo a impressão de que já vi passar
A7 D7
Um ano sem te ver, um ano sem te amar
C G/B D G G7
Ao me apaixonar por ti não reparei que tu tivesse só entusiasmo
C G/B
E para terminar, amor, assinarei
Am D
Do sempre, sempre teu... (INTRODUÇÃO)

C G/B
Quanto tempo faz que li no teu olhar
D G G7
a vida cor-de-rosa que eu sonhava
C G/B
E guardo a impressão de que já vi passar
A7 D7
Um ano sem te ver, um ano sem te amar
C G/B D G G7
Ao me apaixonar por ti não reparei que tu tivesse só entusiasmo
C G/B
E para terminar, amor, assinarei
Am D
Do sempre, sempre teu... (INTRODUÇÃO)



Artista: Renato Russo
Álbum: Presente
Música: A Cruz e a Espada (Com Paulo Ricardo)
INTODUÇÃO E ACORDES DA MÚSICA:

D C#m Bm E

E|—10------10—-9------9--7------7—--4------5-7-
B|-----10--------9----------7---------5----5-7- 2X
G|-------9---------9----------7----------4-----
D|—0--------0----------------------------------
A|---------------------------------------------
E|-------------9------9--7------7—--0----------

D C#m
Havia um tempo em que eu vivia
Bm E
Um sentimento quase infantil
D C#m
Havia o medo e a timides
Bm E
Todo um mau que você nunca viu
Bm F#m D9 E F#m
Agora eu vejo, aquele beijo era mesmo o fim
Bm F#m D9 E F#m
Era o começo e o meu desejo se perdeu de mim

D C#m Bm
E agora eu ando correndo tanto
Bm E
Procurando aquele novo lugar
D C#m Bm
Aquela festa o que me resta
Bm E
Encontrar alguém legal pra ficar
Bm F#m D9 E F#m
Agora eu vejo, aquele beijo era mesmo o fim
Bm F#m D9 E F#m
Era o começo e o meu desejo se perdeu de mim

(Introdução)

Bm F#m D9 E F#m
Agora eu vejo, aquele beijo era mesmo o fim
Bm F#m D9 E F#m
Era o começo e o meu desejo se perdeu de mim

D C#m Bm
E agora é tarde e acordo tarde
Bm E
Do meu lado alguém que eu não conhecia

D C#m Bm
Outra criança adulterada
Bm E
Pelos anos que a pintura escondia

Bm F#m D9 E F#m
Agora eu vejo, aquele beijo era mesmo o fim
Bm F#m D9 E F#m
Era o começo e o meu desejo se perdeu de mim


Artista: Renato Russo
Música: As Flores do Mal
Tom: A
Intro: A Bm7 G A (2 vezes)

Solo da Intro
e|--9-7-9-10~~------------------------
B|-----------10--10--12-11p12-10------
G|------------------------------------

A Bm7 G A Bm7
Eu quis você ....E me perdi você não
G
Viu... e Eu
A Bm7 G A
Não senti não acredito, nem vou julgar você
Bm7 G A
Sorriu ficou e quis me provocar quis dá uma
Bm7 G A
Vou....Tá em todo mundo mas não é bom
Bm7 G A Bm7 G
Assim que as coisas são do seu interesse e só
A Bm7 G
Traição e mentir é fácil demais mentir é
A Bm7 G
Fácil demais mentir é fácil demais mentir é
A
Fácil demais

Intro

A Bm7 G A
Tua indecênci...a não me serve mais tão
Bm7 G A Bm7
decadente e tanto faz quais são as regras?
G A Bm7 G A
O que ficou? o seu cinismo, essa sedução
Bm7 G
Volta pro esgoto baby, vê se alguém lhe
A Bm7
Quer o que ficou é esse modelito da estação
G A Bm7 G
Passada, extorsão e drogas demais todos já
A
Sabem o que você faz, teu perfume barato,
Bm7 G
Teus truques banais, você acabou ficando prá
A
Trás...

Intro
A Bm7 G
Por que mentir é fácil demais, mentir é fácil
A Bm7 G
Demais mentir é fácil demais mentir é fácil
A Bm7 G A
Demais Oh......Oh
A Bm7 G A A Bm7 G
Yeah Volta pro esgoto baby, vê se
A Bm7 G A
Alguém te quer

Aqui no final tem um solinho +ou- assim


Artista: Renato Russo
Música: Boomerang Blues
Tom:E
Intro:E

A7
Tudo o que você faz
G7 E
Um dia volta pra você
A7
Tudo o que você faz
G7 E
Um dia volta pra você
B7 A7
E se você fizer o mal
G7
Com o mal mais tarde
E
você vai ter de viver
A7
Não me entregue o seu ódio
G7 E
Sua crise existencial
A7
Preliminares não me atingem
G7 E
O que interessa é o final
B7 A7
E não me venha com problemas
G7 E
Sinta sozinho o seu mal
A7
Por que tentar sentir demais?
G7 E A7
E você só me usou Eu tentava ajudar
G7 E
E você só me queimou
B7 A7
Mas é errando que se aprende
G7 E
Minha boa vontade se esgotou
A7
Os aborígenes na Austrália
G7 E
Com o boomerang vão caçar
B7
O boomerang vai e volta
A7 G7 E
E só fica quando consegue acertar
B7 A7
E eu sou como um boomerang
G7 E
Quando eu acerto é pra matar
E
Como um boomerang tudo vai voltar

E a ferida que você me fez

é em você que vai sangrar
A7
Eu tenho cicatrizes
G7 E
Mas eu não me importo não
B7 A7
Melhor que a sua ferida aberta
G7 E
E o sangue ruim do seu coração
E A7
Eu só não entendo como fui cair
G7 F#7 B7
Dentro da sua teia e não tentei fugir
Bb7 A7
Me sinto mal lembrando o que aconteceu
F#7
Você tentou roubar
B7 E
Mas o boomerang agora é meu


FIM

EM BREVE MAIS MUSICAS




PORQUE AS AVES NÃO TEM DENTES?????????
"Nem quando a galinha criar dentes!" Já ouviu esta frase? Ela é usada para expressar algo absurdo. Quando pronunciada, fica bem claro que o fato nunca vai acontecer. É uma frase bem bolada, porque as aves jamais criarão dentes. Sabe por quê?

Na verdade, as aves de hoje é que não têm dentes. Elas perderam os dentes ao longo da evolução, que é o processo de modificação das espécies ao longo do tempo. Mas seus ancestrais -- pequenos dinossauros corredores, aparentados ao Tyrannosaurus rex, e grande parte das espécies de aves já extintas, como o Archaeopteryx lithographica, a ave mais antiga de que se tem notícia -- tinham dentes.

E por que as aves perderam os dentes? Elas têm bicos que têm a função de capturar o alimento. Dependendo da ave e do seu cardápio, o bico tem diferentes formas. Nas aves comedoras de grãos, como os curiós, o bico é grosso para poder quebrar as sementes; nas comedoras de insetos, como os bem-te-vis, ele é chato e rodeado de grandes bigodes, que ajudam a encurralar os insetos; nas carnívoras, como os gaviões, os bicos são cortadores, para arrancar pedaços de carne de outros animais; finalmente, nas piscívoras, como as garças, o bico tem forma de lança para capturar peixes.

Os mais curiosos devem estar se perguntando: e como as aves mastigam o alimento sem ter dentes? Anotem, então! Elas têm um estômago que substitui o trabalho dos dentes. Em geral, o estômago das aves é dividido em duas partes. A primeira é o estômago químico, é onde a comida recebe uma grande quantidade de ácidos chamados enzimas digestivas, que começam a dissolver os alimentos. De lá, o alimento passa para a moela, que é cheia de músculos fortes, capazes de triturar tudo o que a ave come, substituindo o mastigar dos dentes.



Assim, só nos resta uma conclusão: as aves não têm dentes porque elas têm a moela! Mas as perguntas nunca acabam: quer dizer que tudo o que é inútil desaparece ao longo da evolução? Ou tudo que desapareceu era inútil quando existia? As respostas, se é que elas existem, são temas para outro dia de conversa!
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